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Projeto 'Fazendo Arte Por Toda a Parte' estimula criatividade de crianças e adolescentes em abrigos de São Gonçalo

Em um vídeo de onze minutos, a artista plástica Isabela Francisco propõe um exercício simples: pegar uma caneta e um papel em branco e a partir daí criar o que a sua mente propõe. A atividade, que foi desenvolvida para estimular a prática artística de crianças e adolescentes, trabalhando os seus mundos e identidades, é a primeira aula do 'Fazendo Arte Por Toda Parte'. O projeto foi criado por Isabela Francisco em parceria com a juíza Juliane Beyruth de Freitas Guimarães, da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso de São Gonçalo, para crianças em abrigos e em cumprimento de medidas socioeducativas. - A ideia é trazer um pouco de fantasia para vidas tão pesadas. A arte alimenta nossa alma e nós precisamos dela para viver – afirma a artista. São dois vídeos por semana, sempre dando sequência ao trabalho ensinado na aula anterior. A ideia é criar desafios e escalas a fim de aprimorar as técnicas apresentadas e revelar novos métodos. O 'Fazendo Arte Por Toda Parte' é uma extensão do 'Fazendo Arte', programa do Centro Cultural do Poder Judiciário – Museu da Justiça (CCMJ), ministrado por Isabela Francisco em uma das salas do Antigo Palácio da Justiça, na Rua Dom Manuel, no Centro do Rio. São oficinas de criação artística para serventuários do TJRJ e para outras pessoas interessadas em arte. O projeto incluía visitas ao Museu da Justiça e outros museus e aulas presenciais de arte-terapia e oficinas de arte, mas por causa da pandemia causada pelo novo coronavírus e a implementação de medidas sanitárias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as atividades foram adaptadas às plataformas digitais.   Aulas no YouTube Por ora, apenas as crianças em situação de acolhimento têm participado. Os vídeos são postados no YouTube (canal Artista Isabela Francisco) e em cada aula é proposta uma atividade nova, de acordo com os materiais disponíveis nas casas e nos abrigos. A juíza Juliane ressalta que muitas das crianças que participam do projeto foram abandonadas, sofreram com violência física e psicológica, e nunca tiveram a oportunidade de visitar um museu de arte. Ela defende  a arte como forma de resgatá-las, explorando seu potencial criativo para criar e compreender suas identidades. - O projeto é uma forma de levar um pouco de arte e de toda esta dimensão lúdica a eles, principalmente neste momento de tantas incertezas e angústias que estamos vivendo. É extremamente positivo para elas este contato com o mundo da arte, em quaisquer de suas expressões - destaca. Atualmente, há 55 acolhidos em São Gonçalo, de acordo com dados obtidos até abril. Com as medidas de distanciamento para evitar o contágio e a disseminação da Covid-19, a situação de muitas crianças foi reavaliada, com alguns reintegrados às famílias e outros encaminhados para adoção. Algumas delas seguem acolhidas, por causa da impossibilidade de colocação em família substituta ou reintegração familiar neste momento.   Ferramenta para expressar sentimentos  A prática e o estudo da arte costumam servir como distração e relaxamento, em muitas ocasiões, além de serem ferramentas para entender e expressar os sentimentos privados e coletivos. À situação de vulnerabilidade social somaram-se os medos originados pela pandemia, e, nesse contexto de incertezas,  as artes aparecem para resgatar valores e práticas como solidariedade, paciência e autoestima. De acordo com Isabela Francisco, o projeto ganhou um significado ainda maior, indo ao encontro das necessidades atuais dos acolhidos. - Com as medidas de isolamento muitas crianças e adolescentes têm experimentado sensações de tédio, ociosidade, incerteza e angústia, de modo que esta foi uma forma que encontramos para levar um pouco de arte para as suas rotinas, abrandando estas angústias. Assim, eles se sentem amparados, cuidados e passam a ter a noção de que, embora com alguns percalços e adaptações, os seus sonhos, as suas atividades e os seus projetos de vida não precisam parar completamente em razão da doença – acredita.   Direito ao acesso à educação e à cultura Para a juíza Juliane Beyruth, o Poder Judiciário, como um dos Poderes da República e guardião da Constituição, deve garantir os direitos fundamentais atrelados ao exercício da cidadania. Entre eles estão o acesso à educação e à cultura, preconizado no artigo 227 da Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A magistrada ressalta que a Constituição estabelece a garantia dos direitos das crianças e adolescentes como dever não só da família, mas também do Estado e da sociedade. Na ausência do núcleo familiar, observa ela, o Estado deve resguardar e cumprir esses direitos de diferentes maneiras. A magistrada elogia a aproximação do Judiciário fluminense com outros órgãos e membros da sociedade como forma de estender a proteção às crianças. - O Poder Judiciário pode garantir o direito à educação e à cultura não só através da prolação de decisões em inúmeras demandas, mas também através de convênios para a execução de medidas que tornem realidade o direito à cultura e à educação. Como o ECA incumbe aos municípios a destinação de recursos e espaços para programações culturais, uma das formas de concretização destes direitos é através da elaboração de projetos e convênios entre estes poderes constituídos.   Carinho e atenção Para superar os traumas vividos pelas crianças e ajudá-las a conquistar a autoestima que lhes foi negada, o 'Fazendo Arte Por Toda Parte' aposta no carinho e na atenção para incentivar as crianças a desenvolver suas habilidades e descobrir novos talentos. A última aula, publicada na terça-feira (19/05), além de novos desafios e desenhos, traz também uma metáfora para as vidas das crianças e adolescentes. Ao apresentar a nova tarefa que deve ser feita, a artista plástica pede para que as pessoas confiem em suas virtudes e não se acanhem.   - O grande desafio do programa está relacionado à motivação do seu público alvo, no sentido de fazer com que cada criança e cada adolescente acredite que pode ter contato com a arte e, a partir daí, experimentar múltiplas possibilidades, pois sem arte não vivemos. É  fundamental que haja apoio do município e de eventuais patrocinadores para arrecadar os materiais necessários para que as oficinas de arte aconteçam – defende Isabela Francisco.   JGP/FS
20/05/2020 (00:00)
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